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VIII Encuentro Americano de Psicoanálisis de la Orientación Lacaniana


http://www.asuntosdefamilia.com.ar/pt/template.php?file=Argumento.html

Semana Lacaniana

VIII Encuentro Americano de Psicoanálisis de la Orientación Lacaniana
XX Encuentro Internacional del Campo Freudiano
Asuntos de familia
sus enredos en la práctica
14 y 15 de septiembre 2017- Hotel Hilton- Buenos Aires

 

 

ARGUMENTO

ASSUNTOS DE FAMÍLIA: seus enredos na prática

"Achamos que dizemos o que queremos, mas é o que quiseram os outros, mais particularmente nossa família, que nos fala. Escutem esse nós como um objeto direto. Somos falados e, por causa disso, fazemos, dos acasos que nos levam, alguma coisa de tramado. Com efeito, há uma trama – chamemos isso de nosso destino."
Jacques Lacan
16/07/1975

Um traço decisivo do estado atual da civilização ocidental é que as famílias se modificaram ao ritmo do declínio do pai: ampliadas, juntadas, monoparentais, homoparentais…, as famílias incorporam em seu seio as consequências do fato de que o tradicional pai de família já não é mais o que era. Isso é assim, por mais que os renovos nostálgicos ou retornos fundamentalistas pretendam convocá-lo novamente, ou servir-se cinicamente dele.

De uma forma ou de outra, até agora ninguém pôde escapar dos assuntos de família. Tendo em vista os encontros e desencontros causados pelos deslizamentos do desejo humano, o laço social encontra na família um referente necessário a partir do qual homens e mulheres se tornam mães, pais e filhos – com suas desinências – para fixar, baseados nele e em seus corpos, as versões singulares do mal-entendido entre os sexos, pautados nas respostas de suas fantasias inconscientes.

Tanto é assim que os divãs analíticos registram o quanto aqueles que neles se deitam não deixam de falar de assuntos de família, de oferecer a seus analistas a obscura trama do que consideram seus destinos – trama que, ao desenrolar-se entre relatos, sonhos e associações, revela as contingências dos acontecimentos vividos, logo transformados em necessários ao serem processados pela substância gozante que anima cada um.

As transformações da intimidade, nos dias de hoje, afetam as famílias. Em nome do gozo do olhar, o privado se torna público: o tudo para ver/tudo para mostrar é ativado por meio de múltiplos gadgets que acionam, através de telas, omnivoyeurs com os quais os filhos se intercomunicam. É frequente o fato de os segredos mais íntimos de uma família serem revelados nas redes sociais para, em seguida, serem viralizados, ocasionalmente fora do controle dos pais (os quais, além disso, tendem a ser ultrapassados pelo vertiginoso avanço tecnológico).

Por outro lado, se do pai como genitor sempre se pôde duvidar, hoje, as tecnociências permitem pôr entre parêntesis o fato de a mãe ser certíssima. Além disso, as novas configurações familiares (que, com as novas leis referidas à aliança e ao gênero, passaram do pai de família para as parentalidades) mostram que pode haver duas mães – ou dois pais – para um filho, evidenciando até que ponto se trata sempre de funções que se distribuem mais além dos sexos implicados no assunto (o que não garante a ausência de respostas sintomáticas nos filhos, pais e/ou famílias). Devemos destacar a importância de considerar os efeitos da ciência e das técnicas de reprodução nas novas configurações familiares.

A construção da adolescência – referida assim por J.-A. Miller – requer novos cenários: as tribos urbanas são as micro-totalidades às quais os jovens costumam recorrer para "reinventar-se" após a eclosão do universo paterno que, até ontem, (bem ou mal) os abrigara. É cada vez mais frequente a existência de famílias sem pai, comandadas por mães sozinhas que devem se encarregar delas.

Nesse contexto, os maus garotos (pobres ou ricos) se apresentam desafiantes da autoridade, substituindo-a, ocasionalmente, por drogas e/ou por armas com as quais tentam fazer-se um lugar no mundo. As classes sociais já não servem como conceito reunificador que dê conta dos acontecimentos; com os fenômenos da globalização, as famílias atuais atravessam os diversos cenários da pós-modernidade.

A violência urbana e as segregações familiares apresentam diariamente novas vítimas. A atualidade do feminicídio, por exemplo, por acaso não é um novo nome para um velho problema, que encontrou a merecida sanção legal e que dá conta do retorno impotente do pai/homem quando acabaram os recursos simbólicos para suportar o hétero em uma mulher?

Jacques-Alain Miller se valeu da citação em epígrafe para demonstrar até que ponto Jacques Lacan – na última parte de seu ensino – se esforçou para destituir "a psicanálise baseada no Outro". Isso o levou a repensar a prática da psicanálise não a partir do Outro, mas a partir do Um sozinho[1].

Referindo-se a Jacques Lacan em seu Seminário 24[2] a propósito de Joyce, Miller convida a "não se conformar em ser falado por sua família", mas, ao contrário, a "reconhecer sua identidade sinthomal"; conclui que "ser seu sinthoma é livrar-se das escórias herdadas do discurso do Outro, depois de tê-las percorrido". Devemos ressaltar que, previamente, ele havia identificado o Inconsciente – que hoje chamamos de transferencial – com o discurso da "própria família"[3].

Os assuntos de família, quando se trata do analisado, parecem encontrar seu "destino" em uma brusca redução: separar- se "das escórias herdadas do discurso do Outro".

Referir-se aos assuntos de família implica, para nós, interrogar as formas por meio das quais cada um tentou dar sentido à sua própria existência, a partir do Outro. Desse modo, trata-se de passar do Outro – considerado desde o início como causa e culpado do destino do indivíduo – à insondável responsabilidade de um sozinho acompanhado por seu sinthoma.

Por essa razão, alojar os assuntos de família na prática analítica implica deixar-se enredar – o tempo que for necessário – pela série de mal-entendidos edípicos nos quais alguém se constituiu, a fim de colaborar para que ele se desenrede deles no final do percurso.

Nesse trajeto tropeçam não apenas os analisantes, pois nós, analistas, também tendemos a enredar-nos com os assuntos de família. O lapso do ato analítico frequentemente se nutre com esses assuntos de família e convoca, por essa via, à supervisão da prática e à análise do analista.

Seus enredos na prática, subtítulo dos Assuntos de família, toma, assim, o valor de advertência para o praticante da psicanálise.

A eles nos dedicaremos em nosso próximo ENAPOL VIII.

Esperamos por vocês!

 

EIXOS TEMÁTICOS

  • A família, ficção necessária
  • Tradições familiares
  • Segredos de família
  • Assuntos de família no inconsciente
  • Angústia em família – a inquietante familiaridade do semelhante
  • Que coisa é um irmão?
  • Transformações da intimidade: o privado se torna público e o público "familiar"
  • As novas configurações familiares: do pai de família às parentalidades
  • As famílias e as instituições educativas
  • Mães sozinhas com filhos sem pais
  • Violência e segregações familiares
  • Mãe, só há uma?
  • A construção da adolescência e as Tribos urbanas
  • Conflitos familiares: destino ou responsabilidade?
  • Maus garotos, crianças sozinhas
  • Os gadgets em família: consequências do "saber no bolso"
  • As novas leis de identidade de gênero e matrimonio igualitário: consequências subjetivas e familiares
  • Efeitos da ciência e das técnicas de reprodução nas novas configurações familiares
  • Famílias substitutas? : instituições comunitárias, religiosas, seitas…
  • A "família" analítica

 

NOTAS
Tradução: Vera Avellar Ribeiro

  1. MILLER, J.-A.: "a partir do que há de absoluto no sinthoma do Uno…Tempo 2: sintoma-inconsciente-Destino//Tempo 1: Sinthoma-Une-bévue-Azares". Curso de Orientação Lacaniana, El ultimísimo Lacan. Buenos Aires: Paidós, pp.138-140.
  2. LACAN, J. O Seminário. Curso n° XXIV: L´insu que sait de l'une bévue sáile a`mourre (inédito).
  3. Idem (1), pág.138: "Porque o inconsciente é o discurso dos outros, do Outro, de nossa família…"

 

Una noche de ENCUENTRO diferente...
Martes 25 de octubre, 20hs., Auditorio

https://www.facebook.com/VIIIenapol/?fref=ts

 

 

Noche de presentación del VIII ENAPOL
Martes 25 de octubre de 2016

Una noche epistémica, entusiasta, participativa que nos pone en camino hacia el VIII ENAPOL!
Video y fotos.

Resenha da Noite de Apresentação do VIII ENAPOL:
ASSUNTOS DE FAMÍLIA, seus enredos na prática

Terça-feira, 25 de outubro, se realizou a Noite de Apresentação do VIII ENAPOL. Uma noite com a sala lotada, em meio a um grande entusiasmo, reuniu a psicanálise e a arte. Alejandra Glaze e Viviana Mozzi, suas Diretoras, Flory Kruger, Presidente da FAPOL e Ernesto Sinatra, Presidente do VIII ENAPOL, apresentaram de um modo preciso e cativante as linhas gerais que guiarão o trabalho de investigação. O VIII ENAPOL nos reunirá nos dias 14 e 15 de setembro de 2017, no Hotel Hilton de Buenos Aires

Ao finalizar a apresentação de Viviana Mozzi, inesperadamente as luzes do auditório se apagaram para dar lugar às vozes de quatro atrizes que, com uma pequena lanterna iluminando seus textos, leram em diferentes momentos cartas de Sigmund Freud, Ernest Jones, Salvador Dalí, Friedrich Nietzsche, James Joyce e Eva, a mãe de Kevin. Cartas escritas no século passado as quais criaram o marco para introduzir "os assuntos de família…".

Assim, surpreendidos e causados pela impecável seleção de cartas realizada por Daniel Aksman e pela encenação organizada por Silvia Bermúdez, Flory Kruger tomou a palavra e começou expressando que a família é uma instituição que sofreu mudanças ao longo da história, próprias das ressonâncias de cada época. Baseando-se na referência de Lévi-Strauss ao matrimônio tradicional como aquele que dá origem à família, constatou que a definição dada pelo antropólogo francês se tornou um tanto desatualizada.

Por outro lado, expressou que Lacan, com a linguística, deu um passo a mais com a metáfora paterna, dando conta da substituição da natureza pela cultura. Isso possibilitaria o advento do sujeito e, portanto, do desejo, ou melhor, de um desejo que não seja anônimo. Recortou um fragmento de A história da sexualidade, de Michel Foucault, e situou as marcas da época vitoriana na qual a sexualidade se mantinha encerrada. A família conjugal a capturava na seriedade da função reprodutiva. Então, hoje, disse ela, nos encontramos com novas formas de família e diferentes tipos de demandas. Na clínica, aponta-se a particularidade do sujeito recortando o sintoma para cada um.

De Freud se extrai a passagem pelo Édipo. De Lacan, a formalização do Édipo em termos linguísticos e advertidos da decadência do pai, tendo sempre como bússola que a orientação do tratamento é em direção ao real. De Miller, assinalou o saber fazer na prática, não sem a referência edípica que permite situar e orientar o analista.

A família, como aparato de gozo, é o campo onde se jogam os assuntos de família. Encontramo-nos, hoje, diante de novas configurações familiares, mudanças da estrutura tradicional. Famílias tradicionais, monoparentais, juntadas, homoparentais, duas mães, dois pais, etc. Essas mutações familiares têm consequências para a psicanálise. Para finalizar, Flory Kruger apresentou uma vinheta de sua prática clínica que ilustra perfeitamente o enunciado, e conclui expressando que "a família é algo a atravessar guiado por uma análise, visando a aceder a um amor mais digno, um desejo mais liberado e um gozo mais regulado".

Para uma nova leitura de cartas, Ernesto Sinatra realizou sua apresentação em duas partes. Na primeira, referiu-se às Conversações como um dispositivo de Escola que voltará a caracterizar o próximo ENAPOL. Destacou que elas constituem um lugar privilegiado do laço associativo, pois sua convocatória está dirigida não apenas aos membros, como também inclui os não membros, acrescentando que estes, na vizinhança de nossas Escolas da AMP, constituem um firme suporte para sua realização.

Na segunda parte, quando assinalou a nostalgia como uma cicatriz do nome do pai – compartilhando lembranças de velhos programas de televisão -, nos advertiu: como dedicar-nos aos assuntos de família sem interpor as nostalgias que nos tocaram? Afirmou que a família é, para cada um, o lugar inaugural onde se aloja o Outro decisivo – o Outro materno –, e que ali se situam as relações de parentesco, razão pela qual define a família como o que condensa o lugar e o laço.

Aplicando um dos temas das Conversações ("Violência e segregações familiares"), destacou o femicídio como um novo nome de um velho problema; nada mais, nada menos, que "o retorno impotente do pai/homem quando não suporta o hétero que atualiza uma mulher", na tentativa de destruir no Outro as diferenças sexuais marcadas pela castração no Uno, deslocando o kakon para o Outro feminino.

Para finalizar, enfatizou que, no final de uma análise, a família pode se transformar em Outra coisa: os personagens se tornam elementos inconsistentes de um conjunto. Arrisca, então, uma definição de família – que corresponderia a um analisado: "as marcas do Outro em um", acrescentando que desse modo a família terá sido privada de sua função na fantasia. Produzir-se-ia, assim, nessa torsão permitida por uma análise, um desprendimento, depois de reduzir o gozo do sentido ligado ao desejo do Outro ao gozo singular tendo como indício o desejo de cada um.

Assim, em um clima de alegria e entusiasmo, em uma noite de encontro diferente… , foi inaugurada a comunidade de trabalho do VIII ENAPOL!

Resenha de: Natali Boghossian, Laura Valcarce e Leticia Varga.

Tradução: Vera Avellar Ribeiro


Flory Kruger | Parte 1

Flory Kruger | Parte 2

Ernesto Sinatra

Actores | Parte 1

Actores | Parte 2

Actores | Parte 3

Actores | Parte 4

Actores | Parte 5

Actores | Parte 6


Em prol do VIII ENAPOL - Ciclo de vídeos-conferências - Espaço Lacaniano Zacatecas/ NEL - 2017

O Espaço Lacaniano Zacatecas e a Nova Escola Lacaniana organizaram um ciclo de vídeo conferências intitulado "Assuntos de Família". Com apoio da FAPOL e às vésperas do ENAPOL, em setembro do presente ano, tais conferências funcionarão como transferência de trabalho preparatória para o próximo Encontro Americano em Buenos Aires. Assim como Freud apontava para os "assuntos de família" com o complexo de Édipo, para dar conta dos descobrimentos psicanalíticos, nós escolhemos seis vídeos-conferências para cumprir o mesmo propósito: mostrar aos não analisados, porém analisantes em potencial, o que a psicanálise de Orientação Lacaniana pode mostrar, a partir de sua práxis, sobre o tratamento do mal-estar do século XXI. Em uma cidade mexicana com fluxo cultural nacional e internacional tão rico como Zapatecas, e no estilo de abertura característico da NEL, que permitiu a grupos associados participarem "on line" desde suas cidades.

Programa:

5 de junho - 12h
MÃE: SÓ EXISTE UMA?
Ministra: Carolina Hernández (Maracaibo)

3 de julho - 12h
SEGREDOS DE FAMILIA
Ministra: Mónica Febres Cordero (Guayaquil)

5 de agosto - 11h
QUE COISA É UM IRMÃO?
Ministra: Giancarla Antezana (Cochabamba)

7 de agosto - 12h
COMPLEXOS FAMILIARES
Ministra: Renato Andrade (Lima)

4 de setembro - 12h
DROGAS EM FAMÍLIA
Ministra: Edwin Jijena (Tajira)

2 de outubro - 12h
GADGETS EM FAMÍLIA: Consequências do saber no bolso.
Ministra: Viviana Berger (CDMX)

Programa