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Novedades da FAPOL


Primeiro encontro da RCP- Abril 2018- Barcelona

No dia 4 de abril, no âmbito do XI Congresso da AMP em Barcelona, tivemos o primeiro encontro da RCP, Rede de Cinema e Psicanálise da FAPOL, em um clima de absoluto companheirismo.

A pedido da sua Presidente, Flory Kruger, a reunião foi coordenada por Diana Paulozky (EOL CBA) que, por sua vez, convidou a ocupar a mesa Eduardo Benedicto (São Paulo) e Beatriz Garcia Moreno (NEL).

A reunião foi muito proveitosa, com mais de trinta colegas da Espanha, Venezuela, Colômbia, Brasil, Chile e Argentina, que compartilharam suas respectivas atividades delineando linhas de trabalho para possibilitar encontros.

Assim, participaram da conversação, entre outros: Olga Montón (ELP), Susana Strozzi (Caracas), Marcela Antelo (EBP), Estela Gimenez (EBP), Debora Fleisher (EOL), Lúcia Benchimol (Ushuaia), Jorge Assef (EOL CBA) e Lourdes Marini (CIEC CBA), José Palma e Howard Rouse de Barcelona.

Propusemo-nos a promover o intercâmbio com a cidade e a Universidade, e promover a elaboração de um blog que estará a cargo de Carlos Motta (EOL).

Os espaços são abertos ao público em geral com a troca de discursos, e nos propusemos a incentivar os convites nos diferentes espaços de trabalho, assim como ter uma maior presença acompanhando a temática de Congressos e Jornadas.

Os espaços de discussão que estiveram presentes no Encontro foram:
Cinema e Psicanálise na EOL, coordenado por Carlos Motta (Bs.As).
Conversas de Café, Cinema e Psicanálise, coordenadas por Ana Meyer (Bs.As).
Ciclo de Cinema e Psicanálise, na Universidade Nacional de Córdoba, que atrai mais de 800 pessoas.
Ciclo de Cinema e Psiconálise : A Questão Humana, coordenado por Diana Paulozky (EOL CBA).
Núcleo de Psicanálise e Audiovisual (Brasil).
O Cinema, a cidade e a psicanálise, (México).

Espaços de Pesquisa:
Núcleo de Psicanálise e Audiovisual do Brasil.
Loucuras e singularidade do programa Cinema, Psicanálise e outros olhares do CIEC, em Córdoba.

Publicações: Revista PSIne, pertencente ao Programa de Cinema Psicanálise e outros olhares do Ciec, em Córdoba. Revista virtual, da qual muito se falou, que já tem quatro números publicados nos quais participaram muitos dos assistentes da reunião.

Nós nos propusemos a acompanhar pelo blog e a promover o trabalho com convites aos diferentes ciclos para enriquecer o laço com a cidade, a partir da Psicanálise.


Rede de Cinema e Psicanálise / FAPOL

Com a reunião de 4 de abril em Barcelona, durante o XI Congresso Internacional do Campo Freudiano, a Rede de Cinema e Psicanálise (RCP) produzirá um fato significativo: uma experiência que provoca modos de abordagem profissionais e epistêmicos, a partir do âmbito psicanalítico de orientação lacaniana em intersecção com a Sétima Arte. O cinema é profundamente implicado em suas produções com a subjetividade do analista cidadão e com sua aposta por um novo espaço de vitalidade participativa na época que nos cabe viver, e sempre com a ideia de habilitá-lo para produzir acontecimento.
A RCP é coordenada por Ana Meyer e o convite dirigido a todos os membros da AMP nela interessados. A reunião será das 13 às 15h, em sala ainda a ser designada, com a presença de Eduardo Benedito (EBP) e Ricardo Torrejón (NEL), e coordenada por Carlos-Gustavo Motta (EOL), assessor responsável pela RCP junto à FAPOL.
Podemos pensar a RCP como espaço epistêmico-pragmático, na medida do possível com critérios comuns de trabalho que enfatizes as ferramentas específicas que fundam a Psicanálise (inconsciente, transferência, pulsão, repetição) e, no âmbito cinematográfico se constituem no espaço fílmico, montagem, narração e linguagem.
Talvez devêssemos incluir esses organizadores em nossas pesquisas em nossos espaços já instalados.

Além disso, propomos uma pauta para este encontro:

  • A proposta de uma Jornada sobre a interface psicanálise/cinema, que poderia ser realizada durante o ENAPOL.
  • Intercâmbio com universidades que se ocupem da temática.
  • Publicação especializada em Cinema e Psicanálise online.
  • Todas as outras questões que tenham surgido nos espaços de trabalho onde vêm trabalhando nossos colegas em suas respectivas cidades.

Aguardamos no dia 4 de abril a todos os membros da AMP que queiram se somar à RCP.
Até Barcelona!

Carlos-Gustavo Motta


Cronograma das reuniões da FAPOL em Barcelona

Segunda-feira, dia 2/4, das 13 às 15 h: RPA - Rede de Psicanálise Aplicada
Segunda-feira, dia 2/4, das 13 às 15 h: Observatório 1 - A violência e as mulheres na América Latina
Segunda-feira, dia 5/4, das 13 às 15 h: RUA - Rede Universitária Americana

Terça-feira, dia 3/4, das 13 às 15 h: IUFI - Iniciativa Universitária de Formação e Investigação
Terça-feira, dia 3/4, das 13 às 15 h: Observatório 3 - Infäncias

Quarta-feira, dia 4/4, das 13 às 15 h: RCP - Rede de Cinema e Psicanálise
Quarta-feira, dia 4/4, das 13 às 15 h: Observatório 2 - Legislação, Direito, subjetividades contemporâneas e a psicanálise

Quinta-feira, dia 5/4, das 13 às 15 h: Observatório 4 - Vamos em direção a uma cultura toxicômana?

Sexta-feira, dia 6/4, das 13 às 15h: Observatório 5 - Políticas do Autismo
Sexta-feira, dia 6/4, das 13 às 15h: Observatório 6 - Gênero, biopolítica e transexualidade

Os presentes às reuniões deverão dirigir-se à porta 6 do auditório 10 minutos antes da hora prevista para a reunião. Lá se encontrarão com a pessoa responsável para acompanhá-las à sala de reunião. Dez minutos antes do início do Congresso na parte da tarde será feito o caminho inverso para o auditório.


Apresentación da nova
Rede de cinema e psicanálise (RCP) FAPOL

Rede de Cinema e Psicanálise (RCP) – FAPOL
Presidente da FAPOL: Flory Kruger

-EOL

EOL Responsable: Ana Meyer
Corresponsable: Pablo Russo
Asesor responsable al
Congreso de Barcelona: Carlos Gustavo Motta
Integrantes: Elsa Maluenda, Alejandra Antuña
Diana Valla, Graciela Musachi,
Déborah Fleischer,
Vera Gorali, Damasia Amadeo de Freda,
Liliana Agra, Candela Méndez

EOL Córdoba Corresponsable Diana Paulosky
Integrantes: Milagros Rodríguez,
Jesica Wainscheinker,
Lourdes Marini,
Soledad Arraes,
Gonzalo Zabala

EOL Santa Fe Corresponsable: Elvira Diano

RESPONSABLES EN LA NEL

MIEMBROS

NEL – Bogota
Beatriz García
mail: btgarciam@gmail.com

NEL - CDMX
Irene Sandner
mail: sandneri@gmail.com

NEL - Medellín
Adolfo Ruiz
mail: adol_ruiz@hotmail.com

NEL - Cochabamba
Giancarla Antezana
mail: gianteus@hotmail.com
Diego Tirado
mail: psycodiego@gmail.com

NEL - Tarija
Ricardo Torrejón
mail: torrejon_er@hotmail.com
Edwin Jijena
mail: egjijena@hotmail.com

NEL - Guatemala
Lorena Greñas
mail: lorena.grenas@gmail.com

ASOCIADOS

NEL - Lima
Yovana Pérez
mail: yovanap2@yahoo.com

NEL - Cali
Manuel Alejandro Moreno
mail: manalmoreno@gmail.com

NEL - Santiago de Chile
Miguel Reyes
mail: mreyesnet@gmail.com

NEL - Guatemala
Lorena Greñas
mail: lorena.grenas@gmail.com

NEL - La Habana
Maritza Bernia
mail: mariber@infomed.sld.cu

NEL – Arequipa
Zindy Valencia
mail: z.valenciasotomayor@gmail.com

NEL - Tarija
Laura Lea Plaza
mail: laurita_25_7@hotmail.com

-EBP
Responsável: Eduardo Benedicto (EBP - São Paulo)
Corresponsáveis:
Cristiano Pimenta (EBP-Delegaçāo Geral Golás, Distrito Federal)
Laureci Nunes (EBP-Florianópolis)
Lucia Grossi (EBP-Minas Gerais, Belo Horizonte)
Luís Felipe Monteiro (EBP-Bahia)
Marcela Antelo (EBP-Bahia)

Apresentação:
Levando em conta o funcionamento de espaços que, sob diferentes rubricas, fazem funcionar colegas de Escolas da AMP-América há bastante tempo, sobre uma arte que é muito de nosso tempo, com dispositivos consolidados tanto na cidade como na comunidade artística e que convocam ano a ano a conversação, aravés de ciclos, pubicações online, conferências, jornadas, encontros internacionais, etc. Sobre temas que, a partir do cinema colocam no centro a subjetividade e os mal-estares da época. Levando em conta a decidida ação que a FAPOL na construção de Redes que propiciem o encontro de dispositivos orientados à ação lacaniana tanto em extensão como em intenção. Consideramos a importância de uma proposta que propicie não só o encontro, mas a difusão e o intercâmbio entre colegas que traria, no entrecruzamento entre cinema e psicanálise, ou na aplicação de um à outra, tanto aos trabalhos locais, como à FAPOL em seu conjunto.
Cinema e psicanálise são contemporâneos e tavez, ainda, sejam respostas a um real comum ou parecido. Recordamos que tanto Freud como depois Lacan incorporaram ao savoir faire da psicanálise o que extraíam de outros discursos da cultura. Propomo-nos a continuar com essa orientação sobre o cinema do melhor modo possível. Assim, tendo como bússola esse nó de aplicação da arte à psicanálise, cada um dos espaços, com seus próprios traços e atividades, enriquecerá a criação cinematográfica e a transmissão da psicanálise.
Durante a Semana Lacaniana de Buenos Aires, reuniu-se o Bureau da FAPOL com a vice-presidente da Associação Mundial de Psicanálise (AMP), Angelina Harari para oficializar a criação de uma nova Rede da FAPOL, a Rede de Cinema e Psicanálise (RCP), integrada por colegas das três Escolas, EBP, EOL en el, co a perspectiva de capitalizar o que se vem realizando faz muito tempo emcada região.
Propõe-se inicialmente:

  • Divulgação das atividades de cada espaço pertencente à RCP.
  • Promoção de ciclos, produções, intercâmbios e publicações.
  • Criação de uma página no Facebook e confecção de um mailing como modo de conexão entre os participantes da Rede.
  • Convocar reuniões em Congressos e Jornadas tanto da AMP como do ENAPOL.
  • Em geral, a possiblidade de intercâmbio de referências cinematográficas, organização de uma biblioteca virtual, difusão das atividades de cada região, estabelecimento de um site na Internet onde possam ser buscados e obtidos links de cada um dos referentes associados à rede, o que daria múltiplas entradas e aproximação à cidade e a outros discursos, dentre eles o universitário, etc.
  • Com tais finalidades cria-se a Rede e foram designados um responsável e corresponsáveis de cada uma das Seções, levando em conta a diversidade geográfica. A partir de agora se convidará a participar na EBP, na EOL e na NEL quem tiver um percurso no tema e os interesses a se somarem na RCP.
  • Na medida em que se deem estes e outros passos, eles serão informados pelos canais da FAPOL, assim como por aqueles que a Rede construa.
  • Desejamos agradecer aos que nos acompanharam e nos brindaram com seu apoio nesse primeiro período da formação da RCP.
  • A partir da formação da RCP-FAPOL, a condição para integrá-la será a de ser membro da AMP.

Presença de Yves Vanderveken na Bolívia!

Com o apoio do Campo Freudiano, da FAPOL e da NEL, Yves Vanderveken foi convidado por "Uyarina-Ponto de Encontro" a estar em Cochabamba para animar o sexto seminário clínico institucional.
Sua estada foi intensa e fecunda!

Na NEL-La Paz, Gabriela Urriolagoitia captou a contingência e, junto com os membros da Diretoria, propôs a Yves comentar um caso de autismo apresentado e tratado por Leonardo Prado, associado da NEL-La Paz. A particularidade é que o caso havia sido apresentado por María Elena Lora em Medellín, por ocasião das atividades do observatório sobre Autismo.

Na NEL-Cochabamba, Yves deu uma conferência sobre a Psicose Ordinária como preparação ao próximo Congresso da AMP, a ser realizado em Barcelona em 2018.
Giancarla Antezana fez um comentário e, em seguida, passou-se à apresentação dos casos de Diego Tirado e Gabriela Villarroel; depois do comentário de Yves iniciou-se a conversação.

Uyarina-Ponto de Encontro é uma instituição de orientação psicanalítica lacaniana, sem fins lucrativos, situada na cidade de Cochabamba, Bolívia. Seu objetivo é oferecer um espaço de escuta e palavra a crianças, adolescentes e adultos que vivem em situação de rua, de tal maneira que estabeleçam um vínculo social diferente.

Os praticantes são Humberto Martínez (também coordenador); María Elena Cano, Cláudia Peñaloza, Paul Martineau, Marisabel Rodríguez, Marcelina Rodríguez, Carmen Tapia e Alejandro Tames.
Coordenadores de formação: Alexandre Stevens e Sofia Guaraguara.

O 6º seminário clínico institucional de Uyarina-Ponto de Encontro realizou-se em três dias.

No primeiro dia efetuou-se a apresentação institucional.

No dia seguinte houve uma jornada Clínica onde se apresentaram 6 casos clínicos pelos praticantes da instituição. Os casos foram comentados e pontuados por Yves Vanderveken.
Na noite desse mesmo dia, na Universidade Privada Aberta Latino Americana (UPAL), a partir do Departamento de Psicanálise coordenado por Thamer Prieto, projetou-se o filme "A céu aberto", de Mariana Otero.

A sala estava cheia, pois participaram muitos estudantes de psicologia, psicólogos, psicanalistas e autoridades institucionais. Em seguida houve uma conversação sobre a particularidade do trabalho que se realiza no Courtil.

No terceiro dia continuou-se a discussão, a partir de uma conferência-conversação intitulada: "Clínica: prática entre vários", que foi filmada pela Universidade UPAL e será utilizada como documento de formação acadêmica.

Na Universidade Mayor de San Simón (UMSS), realizou-se à noite a conferência pública "Cutting, cortes no corpo", na qual participaram mais de trezentas pessoas entre estudantes, psicólogos, pais de família, autoridades institucionais e psicanalistas da Escola.

A presença de Yves provocou um grande interesse que culminou no desejo de que Uyarina se constitua como um lugar de formação para os futuros praticantes da psicanálise.
É também um momento de consolidação para Uyarina, o qual é importante transmitir para as diferentes comunidades de Genebra que sustentam um projeto lacaniano.

Por outro lado, Yves foi entrevistado pela imprensa oral e escrita, o que propiciou a publicação de um artigo no jornal local.

O Champ freudien vai publicar as conferências que se realizaram até o momento. Claudia Peñaloza é a encarregada de compilar os diversos textos dos psicanalistas que animaram os seminários clínico-institucionais de Uyarina: Alexandre Stevens, Héctor Gallo, Serge Cottet [1], Luis Darío Salamone, María Clara Holguín e Yves Vanderveken.

Sofia Guaraguara

NOTAS

  1. Realizou-se de maneira interior.

APRESENTAÇÃO de Aqui FAPOL

Queridos colegas:
O Bureau da FAPOL anuncia com muita alegria a organização de um mailing próprio que tem como título "Aqui FAPOL".

Será, a partir de agora, nosso meio de comunicação direto tanto em particular com a comunidade analítica, como com a comunidade em geral.

Tentamos assim conseguir uma presença mais ágil e direta entre as três Escolas da América, como também com a Europa e o resto do mundo.

O novo passo da FAPOL se enquadra na proposta dada por Jacques-Alain Miller à Orientação Lacaniana, porém levando em conta que estamos confrontados a um novo desafio que consiste em fazer existir a psicanálise no campo da política.

É nosso desejo acompanhar e nos comprometemos nessa nova etapa.
A Ação Lacaniana orientou nosso trabalho até o presente. Hoje estamos começando um novo tempo, um novo movimento nos espera.

Aqui FAPOL será mais uma das ferramentas de comunicação nessa nova direção.

Com vocês, Aqui FAPOL!!!

Flory Kruger, Presidente
Cristina González, Secretária
Rômulo Ferreira Da Silva, Secretário


COMUNICADO DA FAPOL

O Bureau da FAPOL seguiu com atenção a iniciativa lançada por J.-A. Miller em 20/5/17 a respeito da criação da Rede Zadig, assim como da constituição da Coordenação Executiva (ICE 3).
A criação de uma rede política lacaniana, tanto na Europa como na América, é a interpretação que faz Miller do lugar que tem de ter a psicanálise em nosso tempo.
É também resultado dos efeitos que teve, em várias Escolas da AMP, a inclusão da política partidária dentro delas, desvirtuando o trabalho que, como psicanalistas e a partir dos princípios psicanalíticos, devemos sustentar.
Cada Escola, a sua maneira e com suas particularidades, pôs-se a trabalho, orientada por essa nova proposta que Miller denominou "La Movida Zadig" (A Virada Zadig, em português).
O Bureau da FAPOL soma-se à "La Movida Zadig" e, em conjunto com as três Escolas da América Latina, NEL, EBP e EOL, orienta-se nesse novo desafio que nos é proposto por J.-A. Miller: participar como psicanalistas, a partir da psicanálise na política.

Flory Kruger- Presidente
Cristina González- Secretária
Rômulo Ferreira da Silva- Secretário


Jacques-Alain Miller
CARTA AOS LACANO-AMERICANOS
e outros companheiros
Paris, 11 de maio de 2017

Comove-me o excepcional interesse manifestado pelo conjunto do Campo Freudiano da América Latina sobre a Conferência e o debate aberto do próximo sábado em Madrid a respeito da vitória recente das forças democráticas na França e as consequências de tal acontecimento na política da psicanálise no mundo.

A abertura de 37 pontos de conexão extendendo-se através da Argentina e do Brasil, passando pelos países vinculados à NEL, combinada com a criação de improviso em Paris de Lacan Cotidiano, testemunham que, finalmente, a Escola Una abandonou o reino dos sonhos para tornar-se um fato real.

É o resultado inesperado do fecundo mal-entendido gerado pela "Nota sobre Jacques-Alain Miller", escrita por um meu velho aluno e amigo, seguramente em um momento de distração. Essa nota incendiou o Facebook e provocou um sensacional deslocamento de libido que, depois do bem-vindo "Esclarecimento" do autor, finalmente beneficia à Conferência, ao debate e ao Campo Freudiano.

Perguntaram-me se eu queria um sistema aberto de perguntas, potencial disparador de uma crise interna no Campo Freudiano, ou uma espécie de filtro através de um grupo controlado pelo Facebook.

Minha escolha foi confiar em nossa comunidade lacaniana tal como é, não ideal, não de todo prudente, mas viva e real wirklich e que está demonstrando na França e na Bélgica sua valentia e lucidez para ultrapassar todos os obstáculos. Então, as perguntas de meus companheiros da causa analítica não serão filtradas, tampouco minhas declarações.

Na mesma cidade onde o general facista Millán Astray gritou "viva a morte!", estarei, dentro de dois dias, orgulhoso de promover uma nova via para a política da psicanálise do século XXI, que se concretizará de imediato através da fundação de um organismo destinado a "devolver à psicanálise o dever que lhe cabe em nosso mundo", como extensão da experiência lutadora dos psicanalistas da Escola da Causa Freudiana na ocasião da eleição do presidente Macron.

Esse organismo já tem um nome e estatutos provisórios. Chama-se Instituto Lacaniano Internacional. Terá sua publicação on-line a partir da próxima semana. Será uma revista internacional de política lacaniana, cujo nome, bem meditado, anunciarei no sábado em Madrid.


Convocatoria de los psicoanalistas- 13 de marzo de 2017

CONVOCATÓRIA AOS PSICANALISTAS
Contra Marine Le Pen

A Frente, dita nacional, reduz a cidadania aos ancestrais. Tornou-a, não uma seleção de todos os dias, mas uma herança arcaica. É o atual avatar da corrente secular contrarrevolucionária que se manifestou anteriormente na hostilidade ao Iluminismo, glória da França. Essa corrente de ideias já esteve no poder: foi, sob a Ocupação nazista, a aventura do Colaboracionismo. Quem estiver tentado a uma segunda experiência esquece ou ignora a natureza abjeta da primeira.

A eleição à presidência da República acontecerá nos dias 23 de abril e 7 de maio. As eleições legislativas ocorrerão nos dias 11 e 18 de junho. Há vários meses todas as sondagens de opinião colocam Marine Le Pen na liderança do primeiro turno da eleição presidencial. Ninguém pode excluir que ela prevaleça no segundo. A cada dia escutamos rumores de que essa eventualidade amedronta, angustia, indigna, revolta.

De fato, a ideologia lepenista ameaça as liberdades públicas. Exacerba as tendências que levam à exclusão, ao ódio e ao conflito. Em um contexto europeu e mundial que vê estender-se a exploração nacionalista das insatisfações populares, a eleição de Madame Le Pen fraturaria nossa sociedade, com consequências desastrosas.

Mesmo a possibilidade de nosso exercício profissional está em questão. Não há psicanálise digna deste nome sem o estado de direito, sem a liberdade de opinião e de imprensa, sem a respiração e a dinâmica de uma sociedade aberta. Por isso, saímos de nossa reserva em matéria de política para convocar nossos concidadãos a votar conosco contra os partidários do ódio.

Paris, 13 de março de 2017

Assinaturas de apoio à Convocatória:
https://www.change.org/p/le-peuple-fran%C3%A7ais-appel-des-psychanalystes-contre-marine-le-pen-9cbfc4db-4c1b-4c1a-b8ef-f8b39425124b?recruiter=678484343&utm_source=share_petition&utm_medium=copylink


As mutações do vínculo social (1)
Seus efeitos e tratamentos na prática da Psicanálise

A Soirée da AMP – realizada no dia 30/01/2017, em Paris – convidou-nos a responder a uma pergunta: como a psicanálise de nossa orientação recebe e trata as mutações do vínculo social?

As transformações que Lacan propôs na prática da psicanálise facilitam o abrigo de expressões atuais do mal-estar na cultura. Suprimir da psicanálise a ritualização e orientá-la em direção a seus princípios, libera-a de vínculos que a teriam impedido de oferecer um campo de trabalho aos sintomas contemporâneos. Restaurar esses princípios teve seu custo, porém também seus benefícios. Precisamente, conhecendo esse percurso, faz-se necessário precisar os princípios que nos orientam à luz de uma atualidade que nos propõe novas formas de contato.

Se os princípios da psicanálise são nossa defesa contra os rituais, revisá-los sob a égide da contemporaneidade nos protegerá de que não se transformem eles próprios em uma nova ritualização, algo como standards lacanianos: esse é nosso risco.

Os avanços da tecnociência inauguram diferentes modos de encontro, tanto sociais como sexuais; um exemplo disso são as presenças virtuais a partir de dispositivos que possibilitam a produção de imagens. Frente à consistência imaginária dessa produção, encontramos novas formas de satisfação que introduzem uma variação significativa no terreno dos vínculos sociais.

Diante disso, não devemos deixar de nos perguntar: pode existir uma psicanálise virtual, quando uma de suas condições é o encontro efetivo entre os corpos? Como esse avanço o afeta e modifica? Existem contatos entre analisantes e analistas sustentados por mail, por WhatsApp, por Skype. Frente à existência dessas práticas, a resposta que se costuma escutar é de que se trata de uma prática degradada e, portanto, recusada.

Não seria por acaso a mesma resposta que, na primeira época de Lacan, quando sua pertinência era a IPA, escutava-se a respeito das sessões curtas, das apresentações de pacientes ou do uso da sala de espera? Tudo o que tocava as inércias constituídas era causa de recusa e crítica.

Hoje nossa prática é interpelada pela presença de novos sintomas que a vida moderna e seus avanços científicos produzem.

Noções tais como a famosa queda da função paterna; do objeto a como mais de gozo, sua subida ao zênite ou fenômenos como a necessidade imperiosa de comprar um novo objeto que venha rapidamente a substituir o velho; o saber no bolso, como diz Miller, acessível a uma simples consulta via Google, que lugar deixam para a psicanálise?

Hoje, o esquecimento dos nomes próprios, que tanto causou o interesse de Freud, resolve-se rapidamente, não pelo caminho da associação livre, mas perguntando ao Google que sem nenhum esforço nos responde o que esquecemos ou o que necessitamos saber. Não representaria isso uma recusa ao inconsciente?

Tanto o tema que escolhemos para o próximo ENAPOL, "Assuntos de família", como o do ENAPOL anterior, onde trabalhamos o reino das imagens e também o título das últimas Jornadas anuais da EOL – Hiperconectados –, colocam-se em série com o que o tema da Soirée nos questiona.

Sem dúvida o conceito de família foi revolucionado nas últimas décadas. Há famílias tradicionais, famílias agregadas, famílias monoparentais, famílias homoparentais.

As crianças falam da namorada do papai, do marido da mamãe, de seus dois papais ou de suas duas mamães, sem que ninguém se escandalize. Cada vez é mais frequente a decisão de engravidar em mulheres sozinhas com o desejo de não sacrificar sua maternidade precisamente por não ter um parceiro; hoje é moeda frequente a decisão de congelar óvulos numa determinada idade, à espera de poder utilizá-los alguns anos depois ao formar uma família.

Não podemos deixar de nos interrogar sobre essa mutação nas formas familiares e suas consequências para a psicanálise.

Através de uma série de vinhetas clínicas, que desenvolvi durante a soirée, interessou-me mostrar que a psicanálise permite nos incluirmos nas mudanças dos vínculos sociais, porém isso não se obtém com o relato das novelas familiares: é necessário atravessá-las e isso só se consegue através de uma análise, única forma de acesso a um amor mais digno, inclusive a um desejo mais liberado e a um gozo melhor regulado.

NOTAS
* O presente texto é uma síntese da apresentação efetivada por Flory Kruger na Soirée da AMP no dia 30/01/2017.