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XI° CONGRESSO DA AMP

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XXV Jornadas Anuales de la EOL

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Novedades da FAPOL


APRESENTAÇÃO de Aqui FAPOL

Queridos colegas:
O Bureau da FAPOL anuncia com muita alegria a organização de um mailing próprio que tem como título "Aqui FAPOL".

Será, a partir de agora, nosso meio de comunicação direto tanto em particular com a comunidade analítica, como com a comunidade em geral.

Tentamos assim conseguir uma presença mais ágil e direta entre as três Escolas da América, como também com a Europa e o resto do mundo.

O novo passo da FAPOL se enquadra na proposta dada por Jacques-Alain Miller à Orientação Lacaniana, porém levando em conta que estamos confrontados a um novo desafio que consiste em fazer existir a psicanálise no campo da política.

É nosso desejo acompanhar e nos comprometemos nessa nova etapa.
A Ação Lacaniana orientou nosso trabalho até o presente. Hoje estamos começando um novo tempo, um novo movimento nos espera.

Aqui FAPOL será mais uma das ferramentas de comunicação nessa nova direção.

Com vocês, Aqui FAPOL!!!

Flory Kruger, Presidente
Cristina González, Secretária
Rômulo Ferreira Da Silva, Secretário


COMUNICADO DA FAPOL

O Bureau da FAPOL seguiu com atenção a iniciativa lançada por J.-A. Miller em 20/5/17 a respeito da criação da Rede Zadig, assim como da constituição da Coordenação Executiva (ICE 3).
A criação de uma rede política lacaniana, tanto na Europa como na América, é a interpretação que faz Miller do lugar que tem de ter a psicanálise em nosso tempo.
É também resultado dos efeitos que teve, em várias Escolas da AMP, a inclusão da política partidária dentro delas, desvirtuando o trabalho que, como psicanalistas e a partir dos princípios psicanalíticos, devemos sustentar.
Cada Escola, a sua maneira e com suas particularidades, pôs-se a trabalho, orientada por essa nova proposta que Miller denominou "La Movida Zadig" (A Virada Zadig, em português).
O Bureau da FAPOL soma-se à "La Movida Zadig" e, em conjunto com as três Escolas da América Latina, NEL, EBP e EOL, orienta-se nesse novo desafio que nos é proposto por J.-A. Miller: participar como psicanalistas, a partir da psicanálise na política.

Flory Kruger- Presidente
Cristina González- Secretária
Rômulo Ferreira da Silva- Secretário


Jacques-Alain Miller
CARTA AOS LACANO-AMERICANOS
e outros companheiros
Paris, 11 de maio de 2017

Comove-me o excepcional interesse manifestado pelo conjunto do Campo Freudiano da América Latina sobre a Conferência e o debate aberto do próximo sábado em Madrid a respeito da vitória recente das forças democráticas na França e as consequências de tal acontecimento na política da psicanálise no mundo.

A abertura de 37 pontos de conexão extendendo-se através da Argentina e do Brasil, passando pelos países vinculados à NEL, combinada com a criação de improviso em Paris de Lacan Cotidiano, testemunham que, finalmente, a Escola Una abandonou o reino dos sonhos para tornar-se um fato real.

É o resultado inesperado do fecundo mal-entendido gerado pela "Nota sobre Jacques-Alain Miller", escrita por um meu velho aluno e amigo, seguramente em um momento de distração. Essa nota incendiou o Facebook e provocou um sensacional deslocamento de libido que, depois do bem-vindo "Esclarecimento" do autor, finalmente beneficia à Conferência, ao debate e ao Campo Freudiano.

Perguntaram-me se eu queria um sistema aberto de perguntas, potencial disparador de uma crise interna no Campo Freudiano, ou uma espécie de filtro através de um grupo controlado pelo Facebook.

Minha escolha foi confiar em nossa comunidade lacaniana tal como é, não ideal, não de todo prudente, mas viva e real wirklich e que está demonstrando na França e na Bélgica sua valentia e lucidez para ultrapassar todos os obstáculos. Então, as perguntas de meus companheiros da causa analítica não serão filtradas, tampouco minhas declarações.

Na mesma cidade onde o general facista Millán Astray gritou "viva a morte!", estarei, dentro de dois dias, orgulhoso de promover uma nova via para a política da psicanálise do século XXI, que se concretizará de imediato através da fundação de um organismo destinado a "devolver à psicanálise o dever que lhe cabe em nosso mundo", como extensão da experiência lutadora dos psicanalistas da Escola da Causa Freudiana na ocasião da eleição do presidente Macron.

Esse organismo já tem um nome e estatutos provisórios. Chama-se Instituto Lacaniano Internacional. Terá sua publicação on-line a partir da próxima semana. Será uma revista internacional de política lacaniana, cujo nome, bem meditado, anunciarei no sábado em Madrid.


Convocatoria de los psicoanalistas- 13 de marzo de 2017

CONVOCATÓRIA AOS PSICANALISTAS
Contra Marine Le Pen

A Frente, dita nacional, reduz a cidadania aos ancestrais. Tornou-a, não uma seleção de todos os dias, mas uma herança arcaica. É o atual avatar da corrente secular contrarrevolucionária que se manifestou anteriormente na hostilidade ao Iluminismo, glória da França. Essa corrente de ideias já esteve no poder: foi, sob a Ocupação nazista, a aventura do Colaboracionismo. Quem estiver tentado a uma segunda experiência esquece ou ignora a natureza abjeta da primeira.

A eleição à presidência da República acontecerá nos dias 23 de abril e 7 de maio. As eleições legislativas ocorrerão nos dias 11 e 18 de junho. Há vários meses todas as sondagens de opinião colocam Marine Le Pen na liderança do primeiro turno da eleição presidencial. Ninguém pode excluir que ela prevaleça no segundo. A cada dia escutamos rumores de que essa eventualidade amedronta, angustia, indigna, revolta.

De fato, a ideologia lepenista ameaça as liberdades públicas. Exacerba as tendências que levam à exclusão, ao ódio e ao conflito. Em um contexto europeu e mundial que vê estender-se a exploração nacionalista das insatisfações populares, a eleição de Madame Le Pen fraturaria nossa sociedade, com consequências desastrosas.

Mesmo a possibilidade de nosso exercício profissional está em questão. Não há psicanálise digna deste nome sem o estado de direito, sem a liberdade de opinião e de imprensa, sem a respiração e a dinâmica de uma sociedade aberta. Por isso, saímos de nossa reserva em matéria de política para convocar nossos concidadãos a votar conosco contra os partidários do ódio.

Paris, 13 de março de 2017

Assinaturas de apoio à Convocatória:
https://www.change.org/p/le-peuple-fran%C3%A7ais-appel-des-psychanalystes-contre-marine-le-pen-9cbfc4db-4c1b-4c1a-b8ef-f8b39425124b?recruiter=678484343&utm_source=share_petition&utm_medium=copylink


As mutações do vínculo social (1)
Seus efeitos e tratamentos na prática da Psicanálise

A Soirée da AMP – realizada no dia 30/01/2017, em Paris – convidou-nos a responder a uma pergunta: como a psicanálise de nossa orientação recebe e trata as mutações do vínculo social?

As transformações que Lacan propôs na prática da psicanálise facilitam o abrigo de expressões atuais do mal-estar na cultura. Suprimir da psicanálise a ritualização e orientá-la em direção a seus princípios, libera-a de vínculos que a teriam impedido de oferecer um campo de trabalho aos sintomas contemporâneos. Restaurar esses princípios teve seu custo, porém também seus benefícios. Precisamente, conhecendo esse percurso, faz-se necessário precisar os princípios que nos orientam à luz de uma atualidade que nos propõe novas formas de contato.

Se os princípios da psicanálise são nossa defesa contra os rituais, revisá-los sob a égide da contemporaneidade nos protegerá de que não se transformem eles próprios em uma nova ritualização, algo como standards lacanianos: esse é nosso risco.

Os avanços da tecnociência inauguram diferentes modos de encontro, tanto sociais como sexuais; um exemplo disso são as presenças virtuais a partir de dispositivos que possibilitam a produção de imagens. Frente à consistência imaginária dessa produção, encontramos novas formas de satisfação que introduzem uma variação significativa no terreno dos vínculos sociais.

Diante disso, não devemos deixar de nos perguntar: pode existir uma psicanálise virtual, quando uma de suas condições é o encontro efetivo entre os corpos? Como esse avanço o afeta e modifica? Existem contatos entre analisantes e analistas sustentados por mail, por WhatsApp, por Skype. Frente à existência dessas práticas, a resposta que se costuma escutar é de que se trata de uma prática degradada e, portanto, recusada.

Não seria por acaso a mesma resposta que, na primeira época de Lacan, quando sua pertinência era a IPA, escutava-se a respeito das sessões curtas, das apresentações de pacientes ou do uso da sala de espera? Tudo o que tocava as inércias constituídas era causa de recusa e crítica.

Hoje nossa prática é interpelada pela presença de novos sintomas que a vida moderna e seus avanços científicos produzem.

Noções tais como a famosa queda da função paterna; do objeto a como mais de gozo, sua subida ao zênite ou fenômenos como a necessidade imperiosa de comprar um novo objeto que venha rapidamente a substituir o velho; o saber no bolso, como diz Miller, acessível a uma simples consulta via Google, que lugar deixam para a psicanálise?

Hoje, o esquecimento dos nomes próprios, que tanto causou o interesse de Freud, resolve-se rapidamente, não pelo caminho da associação livre, mas perguntando ao Google que sem nenhum esforço nos responde o que esquecemos ou o que necessitamos saber. Não representaria isso uma recusa ao inconsciente?

Tanto o tema que escolhemos para o próximo ENAPOL, "Assuntos de família", como o do ENAPOL anterior, onde trabalhamos o reino das imagens e também o título das últimas Jornadas anuais da EOL – Hiperconectados –, colocam-se em série com o que o tema da Soirée nos questiona.

Sem dúvida o conceito de família foi revolucionado nas últimas décadas. Há famílias tradicionais, famílias agregadas, famílias monoparentais, famílias homoparentais.

As crianças falam da namorada do papai, do marido da mamãe, de seus dois papais ou de suas duas mamães, sem que ninguém se escandalize. Cada vez é mais frequente a decisão de engravidar em mulheres sozinhas com o desejo de não sacrificar sua maternidade precisamente por não ter um parceiro; hoje é moeda frequente a decisão de congelar óvulos numa determinada idade, à espera de poder utilizá-los alguns anos depois ao formar uma família.

Não podemos deixar de nos interrogar sobre essa mutação nas formas familiares e suas consequências para a psicanálise.

Através de uma série de vinhetas clínicas, que desenvolvi durante a soirée, interessou-me mostrar que a psicanálise permite nos incluirmos nas mudanças dos vínculos sociais, porém isso não se obtém com o relato das novelas familiares: é necessário atravessá-las e isso só se consegue através de uma análise, única forma de acesso a um amor mais digno, inclusive a um desejo mais liberado e a um gozo melhor regulado.

NOTAS
* O presente texto é uma síntese da apresentação efetivada por Flory Kruger na Soirée da AMP no dia 30/01/2017.